O Livro Vermelho da Fauna Ameaçada no Estado do Paraná é indiscutivelmente importante para a conservação no Estado do Paraná, não somente em função da grande quantidade de dados fornecidos sobre diferentes grupos faunísticos, como também por sua sistematização em um único documento.

Este Livro envolve a análise do status das espécies de todos os grupos de vertebrados, incluindo peixes e anfíbios - que não estavam presentes na versão anterior. No caso dos invertebrados, no entanto, apenas a Ordem Lepidoptera e parte de Hymenoptera (Apoidea) foram incluídas em função da disponibilidade de dados pertinentes às análises propostas, bem como de especialistas dispostos a executá-las, já que o convite para a participação no esforço de elaboração dessa obra foi estendido a pesquisadores de outros grupos, como Coleoptera, Diptera e Homoptera (Insecta), Crustacea, Miriapoda, Arachnida, Mollusca, Annelida, Echinodermata, Hydrozoa e Bryozoa, além de Ascidiacea. Cabe salientar que todos esses grupos possuem especialistas no Paraná e, portanto, espera-se que no futuro passem a enriquecer esforços para a conservação da fauna desse Estado.

Assim, foram aqui relacionadas 163 espécies ameaçadas para o Paraná, distribuídas em quatro categorias – RE, CR, EN e VU, sendo 69 aves, 32 mamíferos, 22 peixes, 18 abelhas, 15 lepidópteros, quatro anfíbios e três répteis (Tabela 1). Este total inclui quatro espécies que já desapareceram no Estado, três aves (gralhão, Daptrius americanus; uiraçu-falso, Morphnus guianensis; codorninha, Taoniscus nanus) e um mamífero (preguiça-de-três-dedos, Bradypus variegatus), indicando que os esforços de conservação devem ser incrementados para que outras espécies, principalmente aquelas que se encontram criticamente em perigo e que hoje representam uma parcela significativa das espécies ameaçadas (n=41 ou 25% do total ameaçado) não venham também a desaparecer em um futuro próximo.

A presente versão do Livro Vermelho dos animais ameaçados de extinção no Estado do Paraná contempla as seguintes categorias de ameaça:

RE - Regionalmente Extinta (Regionally Extinct): espécie que está sabidamente ou presumivelmente extinta no Estado. Esta é uma adaptação proposta por Gärdenfors et al. (2001), já que a categoria EX (Extinct) da IUCN é de caráter global.

EW - Extinta na Natureza (Extinct in the Wild): espécie que é considerada extinta na natureza por toda a sua área original de distribuição, incluindo o Estado do Paraná (pela adaptação de Gärdenfors et al., 2001), mas que ainda sobrevive em cativeiro, cultivo ou como populações naturalizadas.

CR - Criticamente em Perigo (Critically Endangered): espécie que, de acordo com os critérios específicos, está sob um risco extremamente alto de extinção na natureza.

EN - Em Perigo (Endangered): espécie que, de acordo com os critérios específicos, está sob um risco muito alto de extinção na natureza.

VU - Vulnerável (Vulnerable): espécie que, de acordo com os critérios específicos, está sob um risco alto de extinção na natureza.


Além destas categorias, existem outras que não implicam proteção legal:

NT - Quase Ameaçadas (Near Threatened): espécie que não está ameaçada no presente, mas que corre o risco de ficar ameaçada num futuro próximo.

LC - Preocupação Menor (Least Concern): espécie que não está ameaçada no presente e apresenta pouca probabilidade de se tornar ameaçada num futuro próximo.

E uma para espécies cujo nível de ameaça não pode ser medido em função da carência de informações a seu respeito:
DD - Dados Insuficientes (Data Deficient): espécie que necessita de mais dados, principalmente de abundância e distribuição, para que seu status possa ser corretamente avaliado.

Os casos omissos são dados como NE (not evaluated).

Objetivando facilitar comparações entre a presente lista paranaense, a atual lista nacional (Brasil, 2003) e outras listas de fauna ameaçada que utilizarem as categorias e critérios de IUCN (2001) e Gärdenfors et al. (2001), foi mantido em todos os textos o uso das siglas em língua inglesa adotada nos documentos citados: EX (quando há referência à lista nacional), RE, EW, CR, EN, VU, NT, LC, DD e NE.

Para a elaboração de listas regionais de espécies ameaçadas, Gärdenfors et al. (2001) recomendam ainda que se apresente, junto às categorias e critérios abreviados com as siglas citadas, uma proporção (%) da ocorrência global da espécie na região estudada. Contudo, ante os conhecimentos incompletos, deficientes e fragmentários da distribuição de uma parte relevante das espécies aqui tratadas, optou-se por não apresentar essa informação.

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